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As leis implacáveis do mundo dos mortos

Português · O livro
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Sumário

Convém ver os demônios na beleza sensual; não enganem deuses e espíritos, deixando nascer intenções desviadas.

Um sonho em Yangtai: que alegria pode haver? Três artigos das leis do mundo dos mortos: sofrimento insuportável.

Pergunto aos que mantêm relações ilícitas com esposas e filhas alheias: quem aceitaria que outro mantivesse relações ilícitas com sua esposa e sua filha?

Preciosos Ensinamentos do Soberano Wenchang sobre a Abstenção da Conduta Sexual Imprópria

Por ordem do Supremo Soberano de Jinque, nos dias yin e mao de cada mês, percorro em inspeção os infernos de Fengdu e examino os fatos relativos às culpas das pessoas de todo o mundo. Vejo registros negros empilhados como montanhas: são todos processos do carma acumulado pelas pessoas ao longo de sua vida. Entre eles, há males de toda espécie. De todos os males, é para a retribuição da conduta sexual imprópria que as leis celestes são mais rigorosas.

Quem mantém relações ilícitas com esposas e filhas alheias e mancha seus lares sofre no inferno durante quinhentos kalpas. Só então pode sair e renascer como mula ou cavalo. Depois de outros quinhentos kalpas, volta a ter um corpo humano, como prostituta ou ator.

Quem trama ardis para manter relações ilícitas e passar a noite com viúvas e monjas, corrompendo sua conduta, sofre no inferno durante oitocentos kalpas. Só então pode sair e renascer como ovelha ou porco, para ser abatido pelas pessoas. Depois de outros oitocentos kalpas, volta a ter um corpo humano, como pessoa cega, muda ou com os órgãos dos sentidos e os membros incompletos.

Quem, de posição inferior, mantém relações ilícitas com alguém de posição superior, ou, sendo mais velho, com alguém mais jovem, corrompendo os princípios fundamentais das relações humanas, sofre no inferno durante mil e quinhentos kalpas. Só então pode sair e renascer como cobra ou rato. Depois de outros mil e quinhentos kalpas, enfim obtém um corpo humano, mas pode morrer no ventre materno ou ainda nos braços de quem o carrega. De todo modo, não desfrutará de uma vida longa.

Há ainda os que escrevem livros obscenos e corrompem a mente das pessoas. Ao morrerem, entram no Inferno dos Sofrimentos Ininterruptos. Somente quando todos os exemplares de seus livros tiverem desaparecido e as retribuições das culpas de todos os que praticaram o mal por causa deles tiverem se esgotado poderão sair e renascer no reino dos fantasmas. Ali, na mais profunda escuridão, não verão as três luzes; alimentar-se-ão de vento e dormirão sobre o gelo, com a pele dolorosamente fendida. Mesmo que encontrem imortais ou budas, não poderão ser salvos e libertados. Não se sabe quão imensa é a calamidade que os livros obscenos causam às pessoas do mundo.

Jovens virtuosas de famílias respeitáveis, capazes de ler e compreender os escritos, seja na quietude do dia junto à janela verde, seja tarde da noite à luz da lamparina azulada, abrem esses volumes para lê-los. Suas almas hun e po ficam abaladas e agitadas; incapazes de suportar as chamas do desejo, de repente passam a fugir de casa e manter encontros clandestinos. Assim, mulheres castas perdem a integridade e jovens virgens perdem a castidade. Há também jovens inteligentes e letrados que, ao verem esses livros, têm a consciência e os pensamentos maculados. Alguns se masturbam sem conseguir se conter; outros lançam olhares levianos e cedem a relações ilícitas. Nos casos menores, lesam o yang primordial e morrem prematuramente na juventude; nos maiores, profanam e desordenam os princípios das relações humanas, tornando-se indignos do convívio dos letrados. Quanto a elaborar habilmente narrativas dramáticas, encená-las diante do público, instruir rapazes mantidos como favoritos e contemplar demoradamente atitudes lascivas, são incontáveis os casos de corrupção da conduta pura das pessoas. Examinando a origem disso, tudo decorre dos males causados pelos livros obscenos. Como podem os letrados, dotados de raízes de sabedoria de vidas anteriores e segurando um pincel de sete cun, deixar de pensar em contribuir para o mundo e acumular bênçãos para si, para apenas criar males sem fim, provocar a ira do Soberano Celeste e lançar-se por conta própria em abismos de gelo e fossos de fogo, sem se importar? É profundamente lamentável.

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