A dimensão do mérito depende, na resposta do juiz, da disposição de quem age. A intenção de libertar os seres do sofrimento, sem esperar retribuição, dá à ação um valor que não se mede apenas pelo tamanho da oferta. A resposta acrescenta que, depois de fazer o bem, não se deve permanecer agarrado ao próprio feito. É à combinação entre ajudar sem exigir retorno e não se prender ao que se fez que atribui um mérito imenso.
A dedicação do mérito, huixiang (回向, «voltar e dirigir»), orienta esse fruto espiritual para o benefício de alguém, de outros seres ou para o despertar. No exemplo da ponte, quem a constrói realiza a ação; quem a atravessa recebe a ajuda material; um familiar falecido pode ser o destinatário da dedicação.
Há diferentes práticas de apoio: invocar o nome de um Buda, recitar uma escritura do princípio ao fim ou repetir uma fórmula ritual. O Sutra de Dizang é escolhido, nessa resposta, pelo voto desse bodhisattva de socorrer os seres em sofrimento. Quando a resposta pede leituras completas, conta o ato de ler toda a escritura. Não se trata de comprar ou oferecer o mesmo número de exemplares.
Estas perguntas tornam-se concretas quando familiares procuram ajudar uma criança que não chegou a nascer. No livro, o termo chinês duotai abrange tanto perdas deliberadamente provocadas como perdas que os pais não causaram de propósito, embora as respostas distingam as circunstâncias e a responsabilidade. A pergunta sobre recitar e fazer o bem é colocada nesse conjunto de explicações. O juiz inclui a ajuda da mãe, do pai e de outros familiares quando o mérito é dedicado à criança.
A resposta dá uma proporção: havendo sete partes de mérito, seis cabem a quem praticou o bem e uma à criança. Os responsáveis do mundo dos mortos distribuem-no segundo a dedicação feita pelos familiares. Quanto maior o mérito, maior a parte atribuída. A mesma conversa recomenda pelo menos quarenta e nove leituras completas do Sutra de Dizang. A proporção explica uma distribuição; o número de leituras indica uma prática. Um não é a unidade de medida do outro.
Há ainda uma afirmação sobre o tempo, ligada a uma condição exigente. Se a criança receber a dedicação daquele mérito imenso — obtido ao ajudar sem esperar retorno e sem apego ao próprio ato —, o juiz afirma que alcançará um destino favorável dentro de quarenta e nove dias, contados desde o dia em que a gestação terminou. Depois relata o caso de uma mãe que completou quarenta e nove leituras e continuou a formular grandes votos e a fazer o bem. A criança saiu ao quadragésimo nono dia. É apresentado como o resultado mais rápido dos registos e como um caso extremamente raro.
O caso não elimina as diferenças entre famílias. O juiz explica que as relações anteriores, os ressentimentos e as novas mágoas variam, pelo que a quantidade de mérito necessária e o tempo de resolução também diferem. Considera ainda o bem anterior da própria criança e a ajuda que lhe pode ser atribuída. As quarenta e nove leituras, os quarenta e nove dias e a parte recebida precisam, assim, de permanecer ligados às perguntas e condições a que respondem.
A pergunta seguinte é sobre a ajuda de uma comunidade budista. O juiz reconhece utilidade à instalação de uma tabuleta memorial, à oferta de incenso e à escuta de escrituras num local em que a prática seja pura e conforme ao ensinamento. Para estas crianças, desaconselha instalar a tabuleta em casa, por considerar que isso pode atrasar a sua saída e atrair outros espíritos. Trata-se de uma resposta sobre as crianças mencionadas; a recordação doméstica dos antepassados tem outro contexto.
O apoio da comunidade não dispensa os próprios pais. A resposta critica quem promete socorro para obter dinheiro e considera o arrependimento sincero dos pais uma ajuda mais rápida e melhor do que pagar a outra pessoa para pedir perdão em seu lugar. Os familiares podem procurar apoio, mas a mudança interior que lhes é pedida continua a caber-lhes. Quanto à mãe do caso referido, o relato acrescenta que passou a beneficiar a si própria e aos outros. A prática iniciada em favor da criança continuou numa vida dedicada ao bem.