Português / 背景知识导读 / 阅读

《阴律无情》文化导读 · PT

正文阅读

设置
阅读设置书稿封面
18
正在读取版本…
正文阅读

Pedir desculpa pode aliviar uma discussão sem mudar o hábito que a provocou. Quando a mesma situação regressa, percebe-se melhor o alcance do pedido: a pessoa volta a ferir ou começa a responder de outra maneira? É neste ponto que Yinlü Wuqing situa o arrependimento sincero. O incómodo das consequências pode levar alguém a procurar uma saída; reconhecer o dano causado leva-o também a perguntar o que precisa de deixar de fazer.

O arrependimento e a correção da conduta estão ligados na expressão chinesa chanhui gaiguo (忏悔改过): reconhecer o erro, arrepender-se e corrigi-lo. O comentário de Daolan acrescenta que o erro não deve voltar a ser cometido. As palavras de reconhecimento importam, mas precisam de corresponder ao que passa a ser feito. Quando existe uma possibilidade concreta de reparar o dano, esse compromisso pode tomar formas concretas: devolver o que foi tomado, esclarecer uma falsidade ou deixar de apoiar a ofensa.

A vergonha, por si só, nem sempre permite sair de um hábito. Pode haver uma decisão honesta e, mais tarde, a mesma vontade de enganar, tomar ou retaliar. A prática consiste também em reconhecer esse regresso sem o tratar como uma ordem a cumprir. Guardar os preceitos, interromper o impulso prejudicial e procurar uma resposta diferente são formas de dar continuidade ao primeiro reconhecimento.

Formular um voto — fayuan (发愿), «expressar uma aspiração» — prolonga essa decisão no tempo. A obra dá um exemplo que esclarece a diferença entre firmeza e desejo de se castigar. Um jovem falecido promete alertar os colegas para não repetirem os seus erros, mas acrescenta que quer sofrer castigos se falhar. Guanyin, o bodhisattva que lhe presta auxílio, manda conservar o propósito de beneficiar os outros e abandonar o voto de sofrimento contra si próprio. A explicação é que tanto o voto benéfico como o nocivo constituem causas. A seriedade de um compromisso está no esforço para o cumprir, não no mal que se deseja para si caso falhe.

Esse primeiro reconhecimento pode abrir uma oportunidade antes de a mudança estar completa. Dizang é o bodhisattva que, no livro, ensina e socorre os seres nos infernos. Na sua sala de ensinamento podem entrar espíritos que tiveram um instante de arrependimento: a pena é suspensa temporariamente para que possam escutar. O juiz explica, ao mesmo tempo, como esse instante é raro e frágil, pois a dor e os hábitos anteriores podem voltar a dominar a mente. A pausa dá ocasião para aprender; ainda há que sustentar o que começou.

Uma oportunidade nova pode coexistir com dificuldades herdadas do passado. Num dos casos narrados, um antigo praticante que fora generoso, mas não guardara os preceitos, reconhece o erro e recebe autorização para renascer entre os humanos. A vida anunciada inclui conforto material, saúde frágil e experiências de engano. O juiz relaciona essas diferenças com ações anteriores e diz que, a partir dos trinta anos, ele voltará à prática budista. A continuação depende de guardar os preceitos, arrepender-se logo que surja a vontade de roubar e não responder ao engano com vingança; se regressar aos hábitos antigos, poderá voltar ao sofrimento.

Uma capacidade usada para ferir pode passar a proteger; uma palavra que antes humilhava pode tornar-se verdadeira e cuidadosa. O passado explica por que é necessário corrigir, mas não fornece todas as ações que ainda serão praticadas. O arrependimento aponta para essa vida por fazer. Ter reconhecido o erro ganha sentido nas ocasiões seguintes em que se decide não o repetir.

06 · A compaixão e a mudança de cada pessoa

Quem procura abandonar um hábito prejudicial pode precisar de uma explicação, de apoio e de algum alívio para conseguir recomeçar. Mas, se cada ser responde pelo que faz, o que pode a ajuda de outro mudar? Em Yinlü Wuqing, ela acrescenta precisamente o que faltava para uma resposta diferente: uma ocasião de ouvir, uma orientação e condições menos dolorosas para compreender. A causalidade que explica a formação do sofrimento também permite explicar o valor desse auxílio.

A compaixão budista procura aliviar o sofrimento e desenvolver a compreensão que permite deixar de o produzir. O compromisso de um bodhisattva une o próprio despertar ao auxílio aos seres. Guanyin é apresentado através da escuta e do socorro; Wenshu, através da sabedoria; Dizang, através do ensinamento e da ajuda aos seres dos infernos. São figuras diferentes, não cargos sucessivos de uma mesma administração. O livro acrescenta que algumas já possuem as qualidades de um Buda, embora se manifestem como bodhisattvas.

载入中

版本信息