Quarto, não mentir — Dizer a verdade e não enganar os outros. Se algo existe, diga que existe; se não existe, não diga que existe. Enganar deliberadamente constitui uma violação ainda mais grave desse preceito. Evite, tanto quanto possível, até mesmo as mentiras ditas por conveniência, pois repeti-las faz mal à consciência e facilmente transforma a mentira em um hábito natural.
Quinto, não beber álcool — Abster-se de álcool e de substâncias entorpecentes. Não se pode consumir nenhum produto relacionado ao álcool. Por exemplo, a maioria das variedades de tofu fermentado contém álcool e não pode ser consumida. Mesmo que o vendedor diga que foi usada uma quantidade muito, muito pequena, qualquer quantidade, por mínima que seja, ainda é álcool. Só se pode abrir uma exceção para uso medicinal destinado a salvar uma vida. Além disso, muitos cosméticos contêm álcool, por isso é melhor não usá-los.
Depois de ouvir respeitosamente os ensinamentos de Kṣitigarbha, eu, Ayu, segui adiante para encontrar o magistrado do mundo dos mortos.
Magistrado do mundo dos mortos, Amitābha! Hoje gostaria de lhe pedir ensinamentos sobre a retribuição cármica do incesto.
O magistrado do mundo dos mortos disse que o incesto é uma conduta que corrompe a moral, perturba os costumes da sociedade e destrói a energia reta das relações humanas, e que o mundo dos mortos pune severamente os seres que a praticam. Cada vez que um ser comete esse tipo de conduta sexual imprópria em vida, suas bênçãos e sua vida são reduzidas em dois meses e meio. Ao morrer, ele entra nos infernos da conduta sexual imprópria: sofre 500 anos no Inferno da Roda Invertida, 500 anos no Inferno do Abraço à Coluna de Cobre, 500 anos no Inferno da Cama de Ferro, 500 anos no Inferno Yanhua Fangun e 500 anos no Inferno da Floresta de Espadas. Essa é apenas a pena normalmente imposta por incesto; naturalmente, a sentença definitiva precisa considerar os fatos de cada caso. Em um instante, sobre a flor de lótus branca, eu já havia chegado ao Inferno da Roda Invertida. Aqui havia mais espíritos masculinos que femininos.
Os espíritos que estavam neste inferno por incesto haviam tido relações sexuais com parentes do sexo oposto de sua própria geração. No caso dos homens, com a esposa do irmão mais velho, a esposa do irmão mais novo, uma irmã mais velha ou mais nova, ou uma mulher casada da mesma geração na família da esposa. No caso das mulheres, com o marido da irmã mais velha, o marido da irmã mais nova, um irmão mais velho ou mais novo, ou um homem casado da mesma geração na família do marido.
No Inferno Gelado da Roda Invertida havia uma roda muito grande que girava. Ao redor, havia paredes de gelo muito frias, e acima delas, um gelo que se parecia um pouco com um espelho — vou chamá-lo de espelho de gelo. Esse espelho era diferente do gelo das quatro paredes. Tinha uma transparência e uma capacidade de refletir; em suma, funcionava como um espelho e permitia ver o que acontecia dentro da roda. Dele saíam continuamente pedaços de gelo transparente que atingiam os corpos espirituais dos seres torturados na roda em movimento.
Nesse momento, vi um espírito masculino inteiramente nu caminhar em direção à grande roda. Ela o sugou, prendendo-o por inteiro em seu interior enquanto girava. O espelho de gelo lançou pedaços de gelo contra ele. Cada pedaço fazia o espírito culpado sangrar e lhe decepava as mãos e os pés, causando uma dor extrema. Ele tentava desesperadamente escapar. Mas, quando conseguia, com muita dificuldade, arrastar o corpo ferido para fora da roda por um breve momento, os guardas espectrais do lado de fora o espetavam com seus forcados, erguiam-no e o jogavam de volta. A cena era terrível. Amitābha!
Então o magistrado do mundo dos mortos me chamou para visitar também o Inferno da Floresta de Espadas e Flores Coloridas, que ficava ao lado. Esse inferno era destinado à transgressão de ter praticado, em vida, conduta sexual imprópria com parentes em linha direta, fosse por coação ou voluntariamente. Se a pessoa tivesse sido forçada e não tivesse sentido desejo de prazer sexual naquele momento, ficaria dispensada da punição mediante o arrependimento; porém, se tivesse sentido esse desejo, também teria de sofrer a retribuição. Todo homem que praticasse conduta sexual imprópria com a filha, a neta, a avó materna, a avó paterna ou uma parente do sexo oposto em linha direta da família da esposa teria de sofrer a retribuição. Toda mulher que a praticasse com o pai, o neto, o avô paterno, o avô materno ou parentes em linha direta da família do marido teria de sofrer a retribuição. Dentro desse inferno havia inúmeras flores de aparência bonita. Elas tinham muitos mecanismos ocultos e mudavam de cor, parecendo muito atraentes a quem as olhava. [N6]
Nesse momento, um espírito masculino nu, cheio de pensamentos lascivos, quis colher uma flor. Ela rapidamente mudou de forma e se enrolou em seu corpo. Ao descer lentamente até a região do órgão genital, cortou-o de imediato. O sangue salpicou o chão, deixando tudo coberto de sangue e carne. Depois, a flor se transformou em inúmeras pétalas duras, que voaram continuamente contra o espírito culpado até fazê-lo desmaiar. Quando ele perdeu os sentidos, veio um guarda espectral e derramou um líquido gelado em seu rosto, o que o fez despertar. Em seguida, ele voltou a sofrer a punição sem cessar, repetindo, uma vez após outra, aquela experiência de dor extrema. Se soubesse que acabaria assim, por que teria feito aquilo?