A alma culpada disse: “Uu, uu, uu... Agora, enquanto conversamos assim, embora meu corpo doa, ainda consigo suportar a dor à força e recitar o nome do Buda. Mas daqui a pouco o castigo recomeçará, a dor aumentará muito, sem nenhuma interrupção, e ficarei tonto e com a mente confusa. Simplesmente não conseguirei recitar nada. Uu, uu, uu... Desejo que ninguém no mundo pesque jamais e que ninguém caia nos infernos para sofrer. Que nunca sofram como eu, que, mesmo depois de morto, ainda tenho de suportar penas infernais cujo fim não consigo enxergar! Uu, uu, uu...”
O magistrado: “Muito bem! O tempo é limitado. Levo em consideração que hoje você colaborou bastante, fornecendo informações para Ayu escrever As leis implacáveis do mundo dos mortos, e também formulou um desejo benéfico: que ninguém no mundo pesque jamais nem caia nos infernos para sofrer. Pois bem! Agora registro em seu favor uma boa ação e permito que vá participar de uma sessão de ensinamentos de Kṣitigarbha, descansando temporariamente do sofrimento.”
O Yaksha da Alma Solitária: “Sim, senhor magistrado! Vou levá-lo agora mesmo.”
Ayu: “Senhor magistrado, por que aquele senhor pode ir imediatamente ouvir os ensinamentos de Kṣitigarbha? As almas culpadas que entrevistei antes sofriam ainda mais do que ele e estavam ainda mais aterrorizadas. Por que o senhor não registrou uma boa ação em favor delas?”
O magistrado: “Ah, Ayu! Na verdade, os infernos são formados por um tipo de carma negro produzido quando as pessoas transgridem os preceitos. Quem cai nos infernos é conduzido até lá por seus próprios atos. Em uma de suas vidas passadas, ele praticou o método de recitar o nome do Buda, mas sem diligência. Naquela vida, realizou diversos atos de generosidade, porém não fez a dedicação dos méritos de acordo com os princípios corretos e o Dharma. Mesmo assim, amadureceram os frutos cármicos das diversas boas ações que praticara, tornando-se a riqueza e o prestígio desta vida. Infelizmente, ele não valorizou essas bênçãos, esgotou-as antes do tempo e caiu nos infernos.
Vocês dois também têm um vínculo. Durante sua entrevista, você despertou nele a intenção de se libertar, levando-o a formular, de coração, um desejo benéfico. Foi esse bom pensamento que lhe valeu o registro de uma boa ação; não se tratou de um favor especial de minha parte. Se alguém deseja compreender Todos os budas dos três tempos, Deve contemplar a natureza do reino do Dharma: Tudo é criado somente pela mente.”
O magistrado: “Muito bem, Ayu! Já está tarde hoje, e no mundo dos vivos passou mais uma noite inteira. Volte por enquanto! Será bem-vinda quando puder voltar, o mais breve possível.”
Ayu: “Ayu junta as palmas das mãos e presta reverências ao magistrado. Obrigada, senhor magistrado! Certamente voltarei o mais breve possível!”
19 — Ayu visita Chenghuang
Gratidão pelo amparo do poder do Buda! Parto sobre a flor de lótus branca!