Vi um homem nu que parecia estar amarrado a uma roda capaz de girar. Dos dois lados dessa roda havia duas serpentes de corpo flexível, quase coladas a ele: uma era vermelha, e a outra, de um tom azul-esverdeado escuro. Uma delas se enroscava nele com força, sem soltá-lo, e mordia sua cabeça, seu rosto e suas orelhas, arrancando pedaços de carne e deixando o chão coberto de sangue. A outra mordia a parte inferior de seu corpo. O homem parecia sofrer uma dor extrema e gemia aos gritos.
Olhei então para a mulher ao lado. Ela também estava nua, amarrada a uma roda capaz de girar. Dos dois lados da roda havia dois lobos selvagens de ferro, extremamente ferozes, que a dilaceravam sem parar. Um mordia seu peito, e o outro, a parte inferior de seu corpo. A mulher gritava por socorro, mas ninguém lhe dava atenção. Enfim, a cena era extremamente sangrenta. Aquele homem e aquela mulher não eram muito velhos: tinham apenas trinta e poucos anos e já haviam descido ao inferno para sofrer a retribuição. Que desolador!
O magistrado do mundo dos mortos me disse com expressão severa: “Esses seres não apenas prejudicam a própria natureza espiritual, mas também corrompem gravemente os costumes da sociedade. Por isso, o mundo dos mortos precisa puni-los com rigor. Eles têm de receber castigos aqui durante 500 anos e, depois, serão enviados a outros infernos para serem julgados. Atualmente, também há cada vez mais seres assim, e este inferno foi ampliado novamente há pouco tempo. No futuro, você deve vir visitá-lo mais vezes. Além deste inferno da conduta sexual imprópria, também precisa visitar e registrar a situação real de outros infernos, para que o livro possa ser impresso o mais depressa possível e beneficiar os seres do mundo dos vivos. Assim, eles poderão abandonar o mal e se arrepender o quanto antes, praticar o bem e acumular bênçãos, diminuir a possibilidade de entrar no inferno e reduzir as catástrofes no mundo dos vivos.”
Sim, magistrado do mundo dos mortos, eu, Ayu, cumprirei suas ordens! Certamente farei tudo com o máximo empenho.
Volto sobre a flor de lótus branca.
13 — Meu primeiro encontro com o comandante supremo do mundo dos mortos, o Imperador de Fengdu [N8]
É com todas as minhas forças que eu, Ayu, escrevo este livro, As leis implacáveis do mundo dos mortos! Embora eu tenha estudado pouco e minha escrita seja simples e rudimentar, é inteiramente sincero o desejo que sempre tive de que todos os seres sencientes observem bem os preceitos budistas.
Recentemente, vi uma irmã no Dharma difamando continuamente o professor Tan, de maneira agressiva, sem nenhuma moderação nas palavras! O professor Tan me ajudou muito, e aprendi em seus artigos muitos ensinamentos budistas vivos e concretos. Sou muito grata! Além disso, o rei supremo do mundo dos mortos, o Rei Yama, nomeou pessoalmente o professor para revisar o manuscrito de As leis implacáveis do mundo dos mortos, e ele aceitou de bom grado. O professor certamente não recusaria algo que ajudasse os seres sencientes a se libertarem do sofrimento e alcançarem a felicidade. Se a difamação de alguém prejudicar a publicação e a circulação de As leis implacáveis do mundo dos mortos, isso será, sem dúvida, um problema muito grave.
Por isso, quero fazer a minha parte e me manifestar neste momento em apoio ao professor, indo consultar pessoalmente o magistrado do mundo dos mortos para esclarecer tudo.
Gratidão pelo amparo do poder do Buda! Parto sobre a flor de lótus branca.