Uno as palmas das mãos em saudação ao magistrado do mundo dos mortos!
Hoje, gostaria de perguntar ao magistrado: “O que o professor Tan ensina é o Dharma correto?”
O magistrado respondeu: “O que o professor Tan ensina é o Dharma correto. Não há motivo para duvidar; caso contrário, como o rei supremo do mundo dos mortos o teria nomeado para revisar o manuscrito? Ayu, perguntar isso é como desconsiderar a sabedoria do rei supremo.”
“Ah! Desculpe, magistrado! Errei ao fazer essa pergunta. Peço que me perdoe.”
O magistrado disse: “Naquele tempo, quando o Buda estava sob a árvore Bodhi, prestes a atingir o estado de Buda, Mara veio perturbá-lo intensamente. O Buda repeliu o exército demoníaco com a força de sua concentração em samādhi e com o poder espiritual majestoso dos méritos de sua compaixão. Mara não teve alternativa senão recuar, mas, ao fazê-lo, jurou: ‘Agora não consigo destruir sua concentração. No futuro, porém, na era do declínio do Dharma, enviarei meus filhos e netos demoníacos vestidos com suas vestes para destruir seu Dharma.’ Só então Mara partiu, cheio de ressentimento, e o Buda derramou lágrimas de compaixão. Na verdade, o Buda não estava preocupado com a destruição do Dharma correto por Mara; sentia compaixão pelos filhos e netos demoníacos, que, depois de destruir o Dharma do Buda e difamar o Dharma correto, sofreriam retribuições infernais imensuráveis e ilimitadas. Antes de entrar no nirvana final, o Buda também ensinou aos discípulos que, nas gerações futuras, os discípulos budistas deveriam tomar os preceitos como mestre e seguir o Dharma, sem depender da pessoa que o ensina. O mais importante é verificar se o Dharma ensinado por alguém está de acordo com os sutras budistas. O Sutra Śūraṅgama diz: ‘O que corresponde ao que digo é chamado ensinamento do Buda; o que não corresponde ao que digo é ensinamento de Pāpīyas.’ Na era do Dharma correto, mesmo com o Buda presente, já havia demônios causando perturbações. Quanto mais agora, na era do declínio do Dharma, quando os falsos mestres que pregam são tão numerosos quanto os grãos de areia do Ganges! Onde houver o Dharma correto, certamente haverá demônios. Isso também é uma oportunidade de provação no caminho da prática, para exercitar e elevar a espiritualidade. Naquele tempo, até mesmo Devadatta, primo mais novo do Buda pelo lado paterno, o difamava, procurando por toda parte prejudicá-lo e armar contra ele. Mais tarde, Devadatta veio para cá, para o inferno, sofrer punições.” [N49]
Nesse momento, de repente, chegou um funcionário do mundo dos mortos e anunciou: “Por ordem do Imperador de Fengdu, a mulher do mundo dos vivos Shangguan Yuhua deve comparecer imediatamente à sua presença.” Ah! Levei um susto! O Imperador de Fengdu é a autoridade máxima daqui e queria me ver. Que acontecimento importante teria ocorrido? Fui imediatamente com o magistrado.
Chegamos ao grande salão! Ajoelhei-me imediatamente para prestar homenagem ao Imperador de Fengdu.
“Eu, Shangguan Yuhua, humilde mulher do povo do mundo dos vivos, da terra de Zhendan, no continente meridional de Jambudvīpa, prostro-me diante do Imperador de Fengdu! Que o Imperador de Fengdu perdoe minhas faltas.” [N50]
O Imperador de Fengdu que vi trajava vestes de corte, usava uma coroa preciosa e estava sentado em um trono elevado. Seu rosto era de um negro profundo e sua expressão, extremamente séria, despertando intimidação e medo.
Permaneci ajoelhada no grande salão, sem me levantar, e nem sequer ousava erguer a cabeça para olhar para cima.