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《阴律无情》

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Eu disse: “Quero, sim!” Logo chegamos. Esse lugar é diferente dos infernos da conduta sexual imprópria. Naqueles infernos há pensamentos lascivos de conduta sexual imprópria e sons de sofrimento por toda parte; aqui, o que predomina são gritos e choros carregados de ressentimento e dor. Olho para cima e vejo quatro grandes caracteres: “枉死哭城” — “Cidade do Pranto dos Mortos Prematuros”.

Nossa! Tantas criancinhas! Estão por toda parte, amontoadas, e todas choram. O choro delas é tão doloroso! Ao vê-las, também começo a chorar. Alguns bebês gritam aos berros; outros parecem bolas de sangue.

O magistrado do mundo dos mortos diz que foi o médico quem os deixou assim durante o aborto. Há um espírito de bebê que sentiu tanto medo que continua encolhido ali, feito uma bolinha. Na verdade, agora ele já poderia se esticar, mas continua apegado àquele sofrimento e não consegue se libertar dele. Pergunto ao magistrado quando ele poderá deixar de sofrer tanto. O magistrado diz que isso depende de seus pais se arrependerem perante ele ou praticarem boas ações e lhe dedicarem os méritos. Há ainda outra, que está chamando pela mamãe. Pergunto ao magistrado como um espírito de bebê que ainda não nasceu pode chamar pela mamãe. Ele diz que, se esses bebês tivessem nascido como humanos no mundo dos vivos, só começariam a aprender a falar depois de um ano de idade. Mas agora eles já não estão no mundo humano: chegam ao inferno como seres espirituais, e os seres espirituais possuem poderes sobrenaturais e se valem do pensamento. Enfim, a situação dos espíritos dos bebês aqui é realmente terrível: eles choram e gritam sem parar. Ah! O Céu tem a virtude de prezar a vida. Jamais devemos, por interesse próprio, massacrar pequenas vidas inocentes.

O magistrado do mundo dos mortos me conta que essa “Cidade do Pranto dos Mortos Prematuros” foi construída recentemente. Enquanto conversamos, espíritos de bebês continuam chegando sem parar. São realmente muitos, muitos!

Nesse momento, vejo um grande grupo de bebês sair voando, levando nas mãos uma folha de papel amarelo. Enquanto me pergunto o que está acontecendo, o magistrado diz que eles levam uma credencial de autorização aprovada pelo soberano do mundo dos mortos, o Rei Yama. Com essa credencial, os guardas do mundo dos mortos os deixam sair daqui para procurar seus pais. Na maioria dos casos, eles se alojam no corpo da mãe, fazendo com que ela se sinta mal. A localização exata depende da preferência do espírito do bebê. Alguns gostam de voltar à barriga da mãe e se alojam no útero; outros gostam de se alojar no peito dela, e assim por diante. Alguns seguem a mãe ou o pai o tempo todo; outros não deixam os pais dormir. Enfim, criam problemas a qualquer momento. Se outros filhos nascerem, o espírito do bebê perturbará a harmonia familiar, por exemplo, batendo nos irmãos e irmãs mais novos e provocando deliberadamente muitos incidentes para expressar aos pais seu ressentimento e sua indignação.

À direita daqui há uma cidade antiga, de setenta anos atrás, chamada “Cidade da Mácula de Sangue”. Agora, a “Cidade da Mácula de Sangue” já não tem espaço suficiente. Nos espíritos dos bebês que estão ali, sinto uma solidão mais intensa. O magistrado do mundo dos mortos diz que todos os espíritos de bebês cujos abortos não foram intencionais são colocados aqui. Ah! Então é isso! Não admira que todos chorem sozinhos.

O magistrado também diz que, setenta anos atrás, poucas pessoas provocavam abortos intencionalmente. Naquela época, a maioria era de espíritos de bebês que não tinham podido nascer por não disporem de bênçãos suficientes. Hoje, porém, no mundo dos vivos, predominam os abortos intencionais. Tomar a pílula do dia seguinte no mundo dos vivos também constitui a transgressão de matar. São incontáveis os espíritos de bebês que já haviam sido concebidos e foram efetivamente abortados por causa do uso da pílula do dia seguinte. [N64]

O magistrado do mundo dos mortos acrescenta: “Hoje chegam todos os dias espíritos de bebês abortados no mundo dos vivos para se apresentar aqui, e noventa por cento deles foram abortados por causa de conduta sexual imprópria. Trata-se de um grande carma negativo de matar. A conduta sexual imprópria, somada ao ato de matar, formará uma calamidade de carma negativo coletivo. Quando essa força cármica atingir um ponto em que se perca o equilíbrio entre o Céu e a Terra, uma calamidade inevitavelmente ocorrerá no mundo humano, causada por essas forças de ressentimento. Eles precisam descarregar sua indignação; essa parcela de grande carma negativo precisa se dissipar por meio de calamidades. Ayu! Volte logo e alerte os seres sencientes do mundo dos vivos sobre essa retribuição pelo aborto!” [N65]

Sim! Agradeço todo o seu trabalho de hoje, magistrado do mundo dos mortos!

Eu, Ayu, uno as palmas das mãos diante do magistrado do mundo dos mortos! Volto sobre a flor de lótus branca.

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