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《阴律无情》

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Cheguei ao inferno! Prostro-me diante de Kṣitigarbha! Kṣitigarbha sorri com compaixão! O bodhisattva sempre irradia uma grande luz com tamanha compaixão! Kṣitigarbha manifesta a aparência compassiva de um monge, sentado na postura de lótus completo. Desta vez, a flor de lótus sobre a qual ele está sentado é azul-esverdeada; é a primeira vez que o vejo sentado numa flor de lótus dessa cor. Na mão esquerda, ele segura uma joia preciosa cor-de-rosa e, na direita, um cajado monástico dourado com argolas. Ao seu lado está também uma montaria chamada Di Ting. À esquerda do bodhisattva, o mestre do Dharma Daoming permanece de pé em sua assistência; à direita está Min Gong, protetor do Dharma. Prostro-me diante do mestre e do protetor do Dharma!

Desta vez, entrei diretamente no inferno graças ao poder extraordinário e à força das bênçãos de Kṣitigarbha, sem passar pelos outros caminhos dentro do inferno. Do alto, olhávamos para baixo. Eu estava numa posição abaixo de Kṣitigarbha, ou seja, mais perto do inferno. Já conseguia ouvir os gritos de aflição e via Kṣitigarbha irradiar luz e conceder bênçãos no inferno.

O mestre do Dharma Daoming me informou que esse lugar se chamava “Inferno dos Gritos”. Hoje, Kṣitigarbha veio a esse inferno para libertar e elevar um espírito culpado. Receber a compaixão e a misericórdia de Kṣitigarbha — que imensa bênção!

O mestre do Dharma Daoming disse que os descendentes daquele espírito culpado recitavam dia e noite o Sutra de Kṣitigarbha, atraindo assim a vinda do bodhisattva. Em uma de suas vidas anteriores, esse espírito havia sido um praticante monástico. Como não observara os preceitos com muita pureza naquela vida, não alcançara a libertação. Depois, renascera numa família rica e de posição elevada no mundo humano e começara a decair. Após violar o preceito contra a conduta sexual imprópria, continuara a decair até chegar ao inferno.

Nesse momento, Kṣitigarbha fez um sinal para que Min Gong descesse. Min Gong desceu e disse a dois guardas do mundo dos mortos: “Kṣitigarbha quer ver um espírito culpado do sexo masculino, XXX.” Pouco depois, os guardas trouxeram um espírito masculino que sofria, sangrava e tremia da cabeça aos pés. A dor era tanta que ele simplesmente não conseguia falar. Enfim, não parecia um fantasma, muito menos um ser humano. Era um espírito muito frágil; dava a impressão de que, se uma ventania o atingisse naquele estado, ninguém saberia para onde ele seria levado.

Kṣitigarbha instruiu o espírito masculino: “Hoje, Ayu, uma pessoa do mundo dos vivos, veio visitar o inferno para escrever um livro de exortação ao bem determinado pelo mundo dos mortos, As leis implacáveis do mundo dos mortos, a fim de libertar os seres do mundo dos vivos, levá-los a observar os cinco preceitos e as dez boas ações, purificar o coração, fazer o bem e acumular virtudes, evitando assim que, ao fim da vida, sofram a dolorosa retribuição do inferno. Agora, diga a Ayu: como você veio parar no inferno? O que sente neste momento?”

O espírito masculino assentiu, mas não conseguia falar. Então o mestre do Dharma Daoming recebeu a joia preciosa cor-de-rosa das mãos de Kṣitigarbha e desceu até o espírito culpado. O mestre recitou rapidamente o mantra do selo do corpo do Dharma de Kṣitigarbha: “Om. Boluo molin tuoning. Suopohe.” A joia imediatamente irradiou uma grande luz, iluminando todo o Inferno dos Gritos. O sofrimento nesse inferno foi de imediato suspenso e atenuado, e todos os espíritos culpados sentiram subitamente tranquilidade no corpo e na mente. O espírito masculino deixou imediatamente de sofrer; era como se uma forte corrente de calor percorresse seu corpo. Finalmente conseguiu falar. Até eu senti o calor da bênção. [N94]

O espírito masculino disse que, em vida, havia cometido conduta sexual imprópria. Além disso, por inveja de um praticante leigo do Dharma correto e por não aceitar que ele pudesse difundir o Dharma correto por toda parte e receber o respeito das pessoas, havia difamado esse leigo, dizendo que sua observância dos preceitos não era pura. A difamação fizera muitos fiéis se afastarem, cortando a vida de sabedoria desses praticantes. Embora ele próprio costumasse praticar o Dharma budista, ao morrer ainda assim caíra no inferno para sofrer a retribuição, padecendo dores extremas a cada minuto e a cada segundo. Felizmente, seu filho no mundo dos vivos agora havia crescido, começara a estudar o budismo e se dedicava com grande diligência, recitando todos os dias o Sutra de Kṣitigarbha e dedicando-lhe os méritos.

Nesse momento, o espírito masculino se ajoelhou no chão e, chorando amargamente, disse em voz alta: “Kṣitigarbha de grande compaixão, por favor, tire-me daqui! O sofrimento aqui é realmente insuportável! Certamente vou me tornar uma nova pessoa e compensar minhas faltas com boas ações. Juro praticar, proteger e apoiar o Dharma correto em todas as vidas. Por favor, tire-me daqui. Agora até meu filho entende que deve honrar os pais e recita todos os dias o Sutra de Kṣitigarbha, dedicando-me os méritos, enquanto eu produzi os maus frutos que me trouxeram ao inferno. Também quero renascer no mundo humano em todas as vidas, observar os preceitos com pureza, ser uma boa pessoa e contribuir para a sociedade.”

Ao receber a bênção de Kṣitigarbha, o espírito culpado se lembrou de que havia recitado seu nome sagrado no passado. Naquele momento, recitava sem parar, em seu coração, Namo Kṣitigarbha, e a luz de seu coração também se tornava mais brilhante. Ele percebeu ainda que seu corpo começava a ficar mais leve, por isso continuou a recitar Namo Kṣitigarbha com ainda mais constância, e seu corpo começou a flutuar para cima. Perguntei a Kṣitigarbha: “Por que esse espírito masculino consegue se elevar tão depressa?”

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