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《阴律无情》

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As pessoas da Antiguidade eram bondosas por natureza. Os primeiros ancestrais humanos que vieram ao mundo humano eram seres celestes do Céu da Luz e do Som, no reino da forma. Eles usaram seus poderes sobrenaturais para voar até a Terra a passeio. Naquela época, a Terra tinha montanhas belas, águas límpidas e ar puro, ao contrário de hoje, quando há poluição do ar e poluição química industrial por toda parte. E o que mais destrói a natureza do coração humano é a poluição das informações erradas e nocivas dos diversos meios de comunicação.

Naquela época, crescia no solo uma substância chamada difei, que tinha a forma de frutas muito frescas e espalhava um aroma frutado por toda parte. Essa difei também se parecia um pouco com as frutas dos reinos celestes, e os seres celestes foram atraídos por essas frutas. Naquele tempo, ainda não havia nenhum ser humano na Terra. Os seres celestes observavam os cinco preceitos e não violariam o preceito contra o roubo. Como a difei não pertencia a ninguém, pertencia à própria terra; assim, os seres celestes começaram a prová-la. Depois de comer, acharam-na muito saborosa, e todos continuaram a comer em grande quantidade.

Depois de se fartarem de difei, os seres celestes perceberam que a luminosidade espiritual inata de todos havia enfraquecido por terem ingerido a matéria grosseira da Terra. Sentiram seus corpos ficarem pesados e perderam completamente o poder sobrenatural de voar livremente. Por fim, não conseguiram voltar voando ao Céu da Luz e do Som. Mais tarde, não tiveram outra escolha senão começar a cultivar a terra e se reproduzir na Terra, vivendo em paz e trabalhando com satisfação. Assim, tornaram-se os ancestrais da humanidade.

A difei pertence à terra. Ao comerem uma substância que crescia na terra, os seres celestes estabeleceram com ela um vínculo indissolúvel. Por isso, passaram a ter de caminhar com os pés tocando o chão e ficaram impossibilitados de voar. Embora tivessem perdido o poder sobrenatural de voar livremente e não pudessem voltar voando aos reinos celestes, ainda possuíam poderes sobrenaturais; haviam perdido apenas a capacidade de voar.

Todos os seres celestes haviam ascendido aos reinos celestes por observar os cinco preceitos e praticar as dez boas ações. Os que vieram viver na Terra naquela época ainda conservavam sua disposição de observar os preceitos, acreditavam nas causas e consequências cármicas e eram bondosos e puros. Todos conviviam em harmonia, em uma atmosfera de paz, sem nenhuma ação cármica nociva nem violação dos preceitos. Mas esse cenário não durou muito. Quanto mais tempo os descendentes dos seres celestes viviam na Terra, mais sua luminosidade espiritual diminuía gradualmente. Com a poluição da Terra, também começaram a desaparecer a beleza original das montanhas, a limpidez das águas e a pureza do ar. Apesar disso, a humanidade daquela época ainda era muito melhor que a de hoje. À medida que os seres humanos continuavam a se reproduzir e sua luminosidade espiritual inata declinava, suas bênçãos diminuíam continuamente. As pessoas começaram a deixar de observar os preceitos e, aos poucos, tornaram-se egoístas. Pequenas catástrofes e pequenas doenças também começaram a surgir, umas após as outras, e os infernos começaram gradualmente a se manifestar de acordo com as ações cármicas nocivas.

Antigamente, os infernos eram muito pequenos, e poucas pessoas caíam neles. Mesmo quando alguém era condenado a uma pena, ela durava apenas alguns anos. Alguns, depois de sofrerem punições nos infernos por alguns anos e renascerem no mundo humano, corrigiam seus erros e recomeçavam a vida. Depois, cada vez mais pessoas do mundo dos vivos passaram a cair nos infernos, até chegarmos à superlotação de hoje. Atualmente, as penas impostas a quem cai nos infernos costumam ser de cem anos ou mais; já não há condenações de apenas alguns anos. Isso resulta das ações e dos pensamentos incorretos das pessoas e de sua grave falta de compreensão das causas e consequências cármicas.”

O magistrado do mundo dos mortos continuou: “Como acabei de dizer, os seres celestes do Céu da Luz e do Som desceram à Terra e, por comerem difei, perderam seus poderes sobrenaturais e não puderam voltar voando aos reinos celestes. No Sutra Śūraṅgama, o Buda ensinou: ‘Assim como as pessoas, ao comerem os diversos cereais, já não afastam os pés do chão.’ Isso mostra que cada um de nós deve, a todo instante, prestar muita atenção às próprias ações e intenções cotidianas. Um único pensamento sem atenção desperta basta para nos deixar conduzir pelas circunstâncias ilusórias externas. Os seres do Céu da Luz e do Som, que tinham liberdade para exercer seus poderes sobrenaturais, viram a beleza da Terra recém-formada (forma) e vieram voando passear por aqui. Perceberam que a difei era fresca e suculenta como frutas e exalava diversos aromas naturais. Foram então atraídos por seu aroma (odor) e passaram a comê-la (sabor) e absorvê-la (contato). Naquele momento, surgiu em sua mente o desejo de comer. Assim que esse pensamento surgiu, tornou-se um pensamento ilusório que obstruía a boa natureza da mente (objeto mental), e esse pensamento ilusório daria origem a diversas ações externas, sendo posto em prática. [N125]

Embora os seres celestes não tivessem violado o preceito de não roubar, era necessário algum tempo para saldar o vínculo indissolúvel que haviam criado com a terra. Durante esse período, porém, diversos acontecimentos continuariam a ocorrer sem cessar. Se não conseguissem manter a atenção plena correta a cada pensamento, a qualidade de sua existência continuaria a declinar, e ainda semeariam diversas ações cármicas nocivas que levam ao sofrimento nos infernos.

Originalmente, os seres do Céu da Luz e do Som eram massas de luz. Voavam por meio de poderes sobrenaturais e podiam se transformar livremente, sem o pesado corpo de carne e sangue das pessoas do mundo dos vivos. Essas já eram bênçãos celestes que haviam alcançado por sua prática diligente e pela observância de preceitos puros no passado. Mas bastou surgir o pensamento de provar a difei para que a luminosidade espiritual de sua existência diminuísse. À medida que aumentavam seus pensamentos ilusórios e apegos, seus poderes sobrenaturais também desapareciam gradualmente.

Os descendentes daqueles seres celestes, ou seja, os primeiros seres humanos, lembravam-se de favores e ressentimentos, relacionamentos amorosos e outras coisas de vidas passadas, e essas lembranças acabavam interferindo na vida normal do mundo humano e a perturbando. Depois de beberem a sopa de Meng Po, porém, passavam a seguir o fluxo do carma e esqueciam todas as pessoas e acontecimentos da vida anterior, podendo novamente aprimorar a natureza da mente.

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