A mulher condenada começou a tremer um pouco de frio. Com enorme dificuldade e movimentos extremamente lentos, ergueu-se do chão, finalmente recuperando a aparência de uma pessoa normal. Nesse instante, um yaksha muito feroz lhe cravou uma lança nas costas. Enquanto ela gritava de dor, ele a levou espetada na lança até um computador de mesa ao lado. Num instante, duas serpentes voaram para fora da tela: uma preta e uma vermelha. As duas se lançaram ferozmente sobre a boca da condenada. A serpente vermelha rasgou sua boca com uma mordida, enquanto a preta mordeu sua língua e a puxou para fora, arrancando-a e jogando-a no chão. Depois, para meu espanto, o retorno para dentro da boca ensanguentada e dilacerada da condenada se dava em voo, com precisão. [N32]
De dentro do computador também saíam voando contra o corpo da condenada muitos objetos pontiagudos, que pareciam facas muito afiadas e também se assemelhavam a pregos — nunca vi objetos assim no mundo dos vivos. Depois que esses instrumentos de tortura se cravaram em seu corpo, a mulher caiu no chão e perdeu completamente os sentidos de tanta dor. Mesmo depois de desmaiar, muitos vermes vieram devorar seu corpo. Seu sangue espirrou por toda parte, e até o sangue que escorreu pelo chão acabou inteiramente sugado pelos vermes. Em seguida, devido à força do carma, a condenada voltava a despertar e continuava sofrendo nesse ciclo sem fim.
O homem condenado recebia a mesma retribuição. Alguns espíritos condenados eram golpeados pelos yakshas dos dois lados da boca com barras de ferro cheias de pregos. Bastavam alguns golpes para que a boca ficasse dilacerada e sangrando. Depois, eram arrastados até outro tipo de estação de computador. Nela, vermes aterradores, parecidos com lacraias pretas, sugavam todo o sangue da boca dos condenados e, ao mesmo tempo, devoravam lentamente suas línguas. Em seguida, agulhas saíam voando e costuravam suas bocas, fechando-as. Outros eram arrastados pelos yakshas até uma estação de computador por ganchos presos à boca e à cabeça, enquanto muito sangue escorria sem parar.
Agora vejo uma mulher condenada presa por um gancho, gritando de dor. Este computador fica pendurado na parede e emite sons aterradores, extremamente desagradáveis. De dentro dele saem voando pequenos objetos pontiagudos de um vermelho ardente. Assim que tocam a boca da condenada, ouve-se “tsss — tsss — tsss”, e a boca derrete imediatamente. Ah! Que horror, que sofrimento enorme! É terrível!
Nesse momento, o magistrado mandou que um dos yakshas responsáveis pela aplicação dos castigos viesse explicar quais delitos os espíritos daquele inferno haviam cometido para cair no Inferno do Gelo, do Arrancamento da Língua e do Despedaçamento do Corpo e ali sofrer punição.
O yaksha conteve sua expressão feroz e me disse: “Ayu, aquela mulher condenada que você acabou de ver, quando estava viva, por inveja, mentiu para difamar um praticante que observava preceitos puros. Fez isso com a intenção de prejudicar a divulgação do Dharma correto por esse praticante. Suas mentiras também levaram muitas pessoas a acreditar nelas, e muitas perderam a convicção fundamental de estudar os ensinamentos do Buda, praticar o bem e observar os preceitos. Foi precisamente por essas mentiras que, ao fim da vida, ela caiu neste inferno para sofrer castigo. O soberano do mundo dos mortos, o Rei Yama, ficou furioso e a lançou neste inferno por um kalpa. Quando terminar seu período aqui, ela ainda terá de ir a outros infernos para continuar recebendo retribuição.
Quanto àquele homem condenado, em vida ele trabalhava no ramo da publicidade médica. Por meio de mentiras, ganhou muito dinheiro sem escrúpulos em pouco tempo. Muitas pessoas do mundo dos vivos acreditaram em seus anúncios mentirosos e sofreram danos em diversas funções dos órgãos internos. Nos casos mais leves, passaram a sofrer pelo resto da vida de insuficiências crônicas no funcionamento dos órgãos internos; nos mais graves, as funções do organismo se deterioraram rapidamente, chegando até à morte. Mas essas pessoas nunca imaginaram que haviam sido induzidas ao erro por seus anúncios médicos. O mundo dos mortos reduziu as bênçãos e o tempo de vida desse homem condenado. Ele sofreu um acidente de trânsito e caiu no inferno antes da hora para receber castigo.
Todos os que caem neste inferno mentiram em vida: difamaram com mentiras pessoas que difundiam o Dharma correto; mentiram com maldade, causando danos à vida e aos bens de outras pessoas; ou, com mentiras, incitaram outros a cometer toda espécie de violação dos preceitos; usaram mentiras para vender todo tipo de produto prejudicial ao corpo e à mente das pessoas do mundo dos vivos; enganaram outros com mentiras para obter seus bens ou sua castidade, além de outros atos cármicos negativos. Há casos demais de espíritos condenados por mentiras aqui, tantos que não é possível enumerá-los um a um. Acabei de mencionar apenas os delitos que atualmente levam mais pessoas a cair neste inferno.”
O magistrado continuou: “Em suma, todas as mentiras contadas intencionalmente em vida, desde que prejudiquem o corpo, a mente, a vida ou a saúde de pessoas do mundo dos vivos, levam à queda no inferno para receber o castigo correspondente. Espero que aqueles que tiverem a afinidade de ler este texto possam tomar de coração a resolução de corrigir inteiramente seus erros passados e que, uns após os outros, incentivem as pessoas a recitar o nome do Buda — confiando na bênção protetora de seu poder para eliminar a força do carma negro das mentiras já cometidas no passado —, mantendo sempre a pureza das intenções do corpo e da mente e ensinando a todos que jamais devem mentir. A cada mentira, nossa luminosidade inata se torna um pouco mais tênue. Quando a luminosidade inata de uma pessoa do mundo dos vivos enfraquece, torna-se muito fácil que ocorram acontecimentos contrários aos seus desejos, que ela atraia diversas doenças e até que toda espécie de calamidade venha uma após a outra.
Bem, Ayu, por hoje encerre a visita por aqui! Daqui a pouco tenho uma reunião. Volte amanhã, se as condições forem propícias!” “Amitābha! Sou grata ao magistrado! Vou voltar agora mesmo para casa para escrever o texto. Quando terminar este artigo, voltarei a tomar seu tempo.”