Quem induzir outra pessoa a praticar conduta sexual imprópria receberá uma punição dois graus abaixo da correspondente à falta que ela cometer. O mesmo vale para pais e irmãos mais velhos que permitam tal conduta aos filhos e irmãos mais novos, bem como para quem a permita aos criados.
O magistrado Lu disse: “De acordo com estas punições do mundo dos mortos, é de fato difícil abrandar, mesmo um pouco, a punição de qualquer falta de conduta sexual imprópria, e a culpa do incesto é especialmente grave. Quer alguém de posição inferior viole uma pessoa de posição superior, quer uma pessoa mais velha maltrate uma mais nova, todos entrarão no Inferno dos Sofrimentos Ininterruptos após a morte. Os costumes de hoje estão profundamente corrompidos. Os que cometem essas faltas muitas vezes vêm de famílias de funcionários públicos e são filhos instruídos nos livros. Influenciando-se mutuamente durante muito tempo, acabam tomando isso por hábito, iludidos e sem sentir vergonha, sem saber qual será seu fim. Sem outra saída, os imortais apresentaram o assunto ao Imperador de Jade para que as punições do mundo dos mortos fossem publicamente transmitidas ao mundo dos vivos, sem necessidade de ocultá-las. Quem conhecer estas punições e souber se arrepender e se corrigir terá sua culpa reduzida. Quem praticar a lealdade e a piedade filial terá sua culpa reduzida. Quem acumular méritos terá sua culpa reduzida. Se, depois de ler este texto, a pessoa continuar sem se corrigir nem se arrepender e ainda o difamar, certamente sofrerá uma má retribuição ou será atingida por um raio. Quem ler este texto, acreditar nele, segui-lo e divulgá-lo amplamente terá os seguintes resultados: transmiti-lo a cem pessoas acrescentará um ji à sua vida; a duzentas pessoas, dará um filho a quem não o tem; a trezentas pessoas, acrescentará dois ji à sua vida; a quatrocentas pessoas, fará prosperar seus descendentes; a quinhentas pessoas, trará uma continuidade de títulos e honrarias oficiais; a mil pessoas, fará seu nome ser inscrito no Registro Vermelho. Divulgá-lo por todo o mundo permitirá tornar-se imortal após a morte. Transmiti-lo a dez pessoas ricas equivale a transmiti-lo a duzentas pessoas; transmiti-lo a um funcionário público equivale a transmiti-lo a cem pessoas. Tudo isso foi apresentado pelo Soberano Fuyou ao Imperador de Jade e aprovado para execução.”
Nota respeitosa: quanto aos kalpas passados no inferno, cada kalpa corresponde a uma passagem por um inferno, sofrendo ali uma vez o tormento de sua punição. O sofrimento no tribunal do mundo dos mortos não se compara ao do mundo dos vivos: embora a punição seja aplicada uma única vez e o corpo já morra, a pessoa é necessariamente reconduzida à forma humana para ser castigada e executada como antes. Só depois de cumprir todos os kalpas é que essa culpa se encerra. Se ainda houver outras faltas, receberá as punições infernais correspondentes. Já vimos no Dongming Ji descrições detalhadas de que, se aqueles que cometeram faltas sexuais se arrependerem, se corrigirem e se voltarem ao bem ainda em vida, terão suas culpas compensadas e reduzidas após a morte. Se não mudarem até morrer, serão conduzidos de um salão aos demais e terão de sofrer as penas dos diversos infernos, grandes e pequenos: o Inferno do Castigo do Coração, o Inferno dos Homens de Bronze, o Inferno do Corte dos Rins, o da Mordedura de Ratos, o do Caldeirão de Óleo e o do Desmembramento por Carros. Quem tiver cometido incesto entrará ainda no Inferno do Incesto e em outros, ou ficará para sempre encerrado no inferno, sofrendo suas várias penas. Entre as faltas sexuais, a culpa do incesto é especialmente grave. Em cada um dos infernos acima cumpre-se certo número de kalpas; só depois de completá-los se pode passar aos kalpas de renascimento. Nesses, um nascimento corresponde a um kalpa. Também vimos nos dois livros Jinke Jiyao e Lunke Jiyao a enumeração detalhada das regras de recompensa do bem e punição do mal. Estas regras do mundo dos mortos também distinguem reduções, isenções, agravamentos e compensações permitidas, mostrando que o bem e o mal são discriminados sem o menor desvio. Se consultarmos em conjunto os dois códigos, Jin e Lun, e o Dongming Ji, a retribuição de causa e efeito se tornará ainda mais digna de crédito e encontrará comprovação. [N35]
Nota respeitosa: o Jinke Jiyao foi transmitido no sexto ano de Xianfeng, da dinastia Qing, quando o Soberano Wenchang desceu a Chengjinlin, em Leiguqiao, no distrito de Liling, em Hunan. Esse código havia sido originalmente estabelecido pelo Soberano Celeste e guardado em segredo numa caixa de jade. O Soberano Wenchang suplicou por um decreto imperial de jade para promulgá-lo no mundo humano e tornar claras as leis celestes, também chamadas leis do mundo dos vivos. Elas punem o mal cometido pelas pessoas, fazendo recair calamidades sobre elas para castigar seus corações. No terceiro ano de Guangxu, da dinastia Qing, os dois soberanos, o Civil e o Marcial, obtiveram, após suas súplicas, a autorização do Imperador de Jade para promulgar o Lunke, tornando claras as leis do mundo dos mortos. Essas leis examinam as culpas humanas e dispõem dos infernos para castigar suas almas. O texto foi ainda exposto e compilado por diversos imortais. Tudo o que o Jinke não havia esgotado teve seus princípios transmitidos em continuação neste livro; o manuscrito foi preparado por meio da escrita espiritual feiluan e divulgado amplamente no mundo humano.
Comentários à Escritura do Soberano Guansheng sobre a Abstenção da Conduta Sexual Imprópria [N38]
Prefácio autoral
As tendências da sociedade tornam-se cada dia mais desviantes, sobretudo no que diz respeito aos costumes sexuais. Com a abertura das relações sociais, os homens das famílias frequentemente gostam de se envolver em aventuras amorosas, julgando-se galantes; as mulheres mantêm casos extraconjugais e se consideram elevadas. Influenciados pelos costumes ocidentais, rapazes e moças gostam de ler publicações pornográficas, que agitam seus corações, e de assistir a filmes e peças sobre prazeres amorosos, que arrebatam seus espíritos. Incapazes de conter os sentimentos, transgridem os limites repetidamente; quando não conseguem se unir, tragédias se sucedem. Que desgraça! As sagradas relações humanas são rebaixadas a desejos animalescos. Além disso, muitas pessoas sem caráter humilham mulheres e violam inocentes; sua culpa é imperdoável. Os espíritos dominados pela luxúria são os mais numerosos no inferno. Como poderiam os transgressores deixar de despertar com vigor e mudar de rumo?
Basta olhar as ruas e os mercados movimentados: estabelecimentos de todo tipo ligados ao sexo se multiplicam, uns funcionando abertamente, outros oferecendo prazeres às escondidas. Embora as autoridades os proíbam rigorosamente, seus operadores são ainda mais ardilosos; cegos pelo desejo de lucro, não hesitam em desafiar a lei. Os que se entregam à luxúria acorrem a esses lugares, ficam ali e se esquecem de voltar, sem poupar dinheiro nem o próprio corpo. Os desafortunados contraem males que deixam consequências, e seus descendentes também sofrem. Muitos casais entram em conflito e muitas famílias se desfazem por isso. As notícias não cessam, os escândalos se acumulam, os casos de ofensa aos bons costumes são incontáveis; chegam até a provocar mortes, ou alguém é assassinado por causa de uma ligação amorosa anormal. Isso basta para mostrar como o desejo sexual faz mais mal às pessoas do que inundações e feras. Os antigos diziam: ‘Entre todos os males, a luxúria vem em primeiro lugar; não se deve tomar o caminho da morte.’ Como não acreditar?
O Soberano disse.
O Soberano diz.